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Cultura organizacional: por que ela define muito mais do que o ambiente de trabalho 

28/07/2026
13 minutos de leitura

Entenda por que a cultura organizacional influencia os resultados das empresas, e conheça a metodologia MOVER, que transforma a cultura em um sistema de gestão capaz de sustentar mudanças e fortalecer a execução da estratégia. 

Resumo rápido: A inovação empresarial é a capacidade de transformar ideias em soluções que geram valor para a organização, seus clientes e o mercado. Mais do que desenvolver novos produtos ou adotar tecnologias, ela envolve estratégia, cultura organizacional, gestão eficiente, inteligência artificial e a habilidade de antecipar mudanças. Quando integrada aos objetivos do negócio, a inovação fortalece a competitividade e amplia a capacidade de adaptação da empresa em cenários de constante transformação. 

Por que a cultura organizacional é importante para as empresas? 

Toda empresa sabe onde quer chegar. Define metas, estabelece prioridades e constrói planos para orientar seu crescimento. Ainda assim, muitas organizações encontram dificuldade para transformar esse planejamento em resultados concretos. 

Grande parte dessa diferença está na cultura organizacional. 

É ela que influencia a forma como as pessoas interpretam prioridades, resolvem problemas, colaboram entre áreas e tomam decisões no dia a dia. Em outras palavras, a cultura funciona como o elo entre aquilo que a empresa planeja e aquilo que realmente consegue executar

Esse impacto se torna ainda mais evidente em períodos de transformação. A adoção de novas tecnologias, mudanças na estratégia, processos de expansão ou reestruturações exigem muito mais do que novas diretrizes. Exigem que comportamentos, liderança e formas de trabalho evoluam na mesma direção. 

Quando esse alinhamento não acontece, os sinais costumam aparecer rapidamente: iniciativas que perdem força, retrabalho entre equipes, dificuldade para adaptar processos e uma crescente distância entre o discurso institucional e a prática cotidiana. 

Foi justamente essa relação que o Boston Consulting Group (BCG) destacou em um estudo publicado em 2024. Ao apresentar sua abordagem para conduzir transformações organizacionais, o estudo afirma que mudanças sustentáveis dependem da atuação integrada sobre quatro elementos: cultura desejada (desired culture), engajamento das pessoas (people engagement), fortalecimento da liderança (leadership enablement) e capacidade de execução (executional certainty).  

Esses resultados dificilmente aparecem apenas porque novos valores foram definidos ou porque uma campanha interna foi lançada. Eles são consequência de um trabalho consistente, capaz de conectar comportamentos, práticas de gestão e objetivos organizacionais. 

Essa constatação leva a uma questão importante: se a cultura exerce tanta influência sobre a capacidade de execução de uma empresa, como conduzir uma transformação que realmente se sustente ao longo do tempo? 

Como a metodologia MOVER transforma a cultura organizacional 

Grande parte das iniciativas de transformação cultural fracassa porque trata a mudança como um evento. A empresa revisa seus valores, promove encontros com as equipes, lança uma campanha interna e acredita que, a partir daquele momento, a cultura seguirá um novo caminho. Na prática, esse movimento costuma produzir resultados limitados, já que comportamentos não mudam apenas por orientação ou comunicação. 

Transformações consistentes acontecem de outra maneira. Elas exigem observação, experimentação e capacidade de adaptação ao longo do tempo. Em vez de buscar uma mudança imediata, é preciso criar um processo que permita compreender a realidade da organização, testar novas formas de atuação, aprender com os resultados e consolidar aquilo que funciona. 

É dessa lógica que nascea Crescimentum desenvolveu a metodologia MOVER. A proposta organiza a transformação cultural como uma jornada contínua, em que cada etapa prepara o terreno para a seguinte.  

O percurso começa pelo entendimento da cultura existente (Mapear), avança para o alinhamento das lideranças e da governança (Orquestrar), transforma prioridades em iniciativas práticas (Viabilizar), amplia aquilo que demonstrou resultados (Escalar) e, por fim, cria mecanismos para acompanhar e fortalecer a evolução da cultura (Reforçar). 

Mais importante do que a sequência das etapas é a forma como elas se relacionam. O diagnóstico orienta as decisões seguintes. Os aprendizados obtidos durante a implementação ajudam a aperfeiçoar as iniciativas. Os resultados passam a orientar novos ciclos de evolução. Em vez de um projeto com começo, meio e fim, a transformação se torna parte do funcionamento da organização. 

Essa dinâmica reduz um dos problemas mais comuns em processos de mudança: a perda de continuidade. Quando a cultura passa a evoluir para gestão intencional na prática, ela acompanha as necessidades do negócio sem depender de ações pontuais ou de grandes programas de mobilização. 

Os pilares que sustentam a transformação cultural 

Uma transformação cultural só se mantém quando diferentes aspectos da organização evoluem em conjunto. Trabalhar apenas a liderança, revisar processos ou investir em comunicação, de forma isolada, dificilmente produz mudanças duradouras. A cultura é resultado da interação entre esses elementos. 

Por isso, a abordagem MOVER organiza a transformação a partir de sete pilares, cada um responsável por fortalecer uma dimensão específica da organização. Em vez de funcionarem como etapas sequenciais, eles atuam de forma integrada, influenciando continuamente a maneira como a empresa aprende, decide e evolui. 

PILAR Como contribui para a transformação 
Pessoas Fortalece a cocriação, o comprometimento e a participação ativa das pessoas durante toda a jornada de transformação. 
Integração Promove mudanças nos processos e nos sistemas de gestão para fortalecer a cultura e alinhar a organização aos seus objetivos. 
Liderança Desenvolve líderes preparados para atuar como agentes da mudança e inspirar novos comportamentos. 
Arquitetura Estrutura ciclos de experimentação, permitindo testar, aprender e consolidar novas formas de atuação. 
Rituais e Símbolos Torna a cultura visível por meio de práticas, ritos e símbolos que reforçam o jeito de ser da organização. 
Estratégia Conecta governança, tomada de decisão e direcionamento do negócio para sustentar a transformação. 
Sistema de Medição Utiliza dados, indicadores e evidências para acompanhar a evolução da cultura e orientar melhorias contínuas. 

O valor dessa estrutura não está em cada pilar individualmente, mas na relação entre eles. Uma liderança preparada produz pouco impacto se os processos continuam reforçando antigos comportamentos. Da mesma forma, indicadores perdem relevância quando as pessoas não compreendem o propósito da mudança ou não participam da construção das soluções. 

Quando essas dimensões passam a atuar de maneira coordenada, a cultura deixa de depender exclusivamente da intenção das pessoas e passa a ser sustentada pelo próprio funcionamento da organização. 

Como a transformação cultural acontece na prática 

O caso do Nubank ilustra como princípios culturais bem definidos se traduzem em comportamento organizacional e, na sequência, em resultado de negócio. A instituição financeira estrutura sua cultura em torno de pilares declarados, entre eles o foco fanático no cliente e a disposição para desafiar status quo

Também está presente uma mentalidade de contribuição ativa por parte das pessoas, mais próxima da postura de dono do que da de simples executor de tarefas. 

Esses pilares não ficam restritos ao discurso institucional. Eles aparecem em decisões operacionais concretas, como o processo seletivo, que prioriza candidatos com genuína disposição para interagir com pessoas, e como o modelo de squads multidisciplinares, organizados por chapters e times especializados. 

A empresa também mantém rituais de comunicação interna, como encontros regulares para alinhamento e transparência, voltados a reforçar que errar faz parte do processo de inovação, e não algo a ser evitado a qualquer custo. Reconhecer esse tipo de fricção, em vez de apresentar apenas um cenário ideal, é parte do que sustenta uma cultura viva. 

Os resultados de negócio acompanham essa consistência. Em maio de 2024, o Nubank ultrapassou o Itaú e se tornou o banco mais valioso da América Latina, atrás apenas da Petrobras em valor de mercado na bolsa brasileira, segundo levantamento publicado pelo G1

A percepção interna também sustenta esse desempenho: em agosto de 2024, a empresa registrava nota 4,3 no Glassdoor, com 88% das pessoas recomendando a companhia a conhecidos, entre 2.271 avaliações. Também foi reconhecida como a empresa mais admirada entre profissionais de dados na América Latina, segundo a pesquisa State of Data Brazil 2022, realizada pela Data Hackers em parceria com a Bain & Company. 

Esses números não comprovam, isoladamente, que a cultura foi a única responsável pelo desempenho do negócio. Mas mostram um padrão relevante: quando princípios culturais se conectam a processos concretos de gestão, a organização tende a sustentar reputação, retenção e performance de forma mais consistente ao longo do tempo. 

Por que transformações culturais pontuais não se sustentam 

Muitas empresas iniciam processos de transformação cultural com entusiasmo. Novos valores são apresentados, campanhas internas são lançadas e diferentes iniciativas mobilizam as equipes. Nos primeiros meses, a percepção costuma ser positiva. O desafio aparece quando essas mudanças deixam de ser novidade e precisam se sustentar na rotina. 

É nesse momento que muitas organizações descobrem que transformar a cultura não significa apenas implementar ações, mas criar um ambiente capaz de mantê-las vivas. Se os processos continuam premiando antigos comportamentos, se as lideranças voltam aos mesmos padrões ou se as prioridades mudam constantemente, a tendência é que a organização retorne ao estágio anterior. 

Por isso, uma transformação consistente não acontece por acúmulo de iniciativas. Ela depende da capacidade de integrar as mudanças ao funcionamento da empresa, fazendo com que decisões, rituais, processos de gestão e relações de trabalho reforcem, de maneira natural, os comportamentos esperados. 

Essa também é a lógica da abordagem proposta pela transformação organizacional. Em vez de tratar a cultura como um projeto temporário, ela considera que a evolução acontece por meio de ciclos contínuos de aprendizagem, adaptação e acompanhamento. Cada avanço gera novos aprendizados, que orientam os próximos movimentos da organização. 

Em outras palavras, a transformação cultural não termina quando uma iniciativa é concluída. Ela passa a fazer parte da forma como a empresa aprende, responde aos desafios e evolui ao longo do tempo. Quanto maior a capacidade de manter esse movimento, maiores são as chances de que a cultura acompanhe o crescimento do negócio e continue gerando valor para a organização

Qual é o papel da liderança na transformação da cultura organizacional? 

Toda transformação cultural depende das pessoas, mas é a liderança que cria as condições para que ela aconteça de forma consistente. São os líderes que traduzem os objetivos da organização em decisões cotidianas, orientam prioridades e influenciam a maneira como as equipes respondem às mudanças. 

Uma liderança que atua como guardiã da cultura compreende que seu papel vai além da gestão de pessoas. No nível da organização, ela influencia mudanças nos processos, identifica incoerências entre o discurso e a prática e acompanha indicadores para avaliar a evolução da cultura.  

No relacionamento com os times, incorpora os valores da empresa em processos como recrutamento, integração de novos colaboradores, feedbacks, reconhecimento e nos rituais de gestão, como check-ins e retrospectivas. 

Já no âmbito individual, demonstra esses valores nas próprias decisões e atitudes, tornando-se uma referência para as equipes. Dessa forma, a cultura deixa de ser apenas um conjunto de princípios declarados e passa a orientar a forma como a organização trabalha diariamente. 

Quando existe coerência entre discurso e prática, a cultura ganha força e passa a orientar naturalmente o comportamento das pessoas. Por outro lado, quando esse alinhamento não acontece, mesmo iniciativas bem planejadas tendem a perder espaço na rotina da empresa. 

Um bom líder precisa dominar todas as camadas presentes na cultura da empresa e compreender em quais contextos elas se aplicam. Algumas camadas aparecem como: valores,; comportamentos,; sistemas e regras, e; símbolos

Ao longo da jornada de transformação, a liderança deixa de ser apenas responsável por comunicar mudanças e passa a criar as condições para que novos comportamentos sejam experimentados, fortalecidos e incorporados ao cotidiano da organização. 

Quando a liderança assume esse papel de forma consistente, a transformação deixa de depender de iniciativas isoladas e passa a fazer parte da maneira como a organização aprende, toma decisões e evolui ao longo do tempo.  

Por onde começar a transformar a cultura organizacional? 

Depois de entender o que fortalece uma cultura organizacional, é comum surgir a dúvida: qual deve ser o primeiro passo? Em geral, ele não está em grandes projetos, mas na leitura cuidadosa da realidade da empresa antes de qualquer mudança. 

Cada organização tem desafios, comportamentos e formas de trabalho próprios. Por isso, o ponto de partida é observar como as decisões são tomadas, quais atitudes são valorizadas, como as lideranças influenciam as equipes e o que os processos reforçam no dia a dia. 

Com esse diagnóstico, fica mais fácil definir prioridades e concentrar esforços no que realmente pode gerar impacto. Muitas vezes, pequenas mudanças consistentes produzem resultados mais duradouros do que iniciativas amplas feitas de uma só vez. 

Também é importante lembrar que a transformação cultural não depende apenas do RH. Ela envolve lideranças, gestores e equipes, porque a cultura aparece nas decisões cotidianas, na colaboração entre as pessoas e na forma como a empresa funciona. 

Métodos estruturados ajudam a organizar esse percurso, unindo diagnóstico, alinhamento, experimentação e acompanhamento. Assim, a mudança acontece de forma mais consistente, respeitando o contexto e o momento de cada organização. 

Mais do que chegar a um ponto final, transformar a cultura é desenvolver a capacidade de evoluir continuamente. É isso que fortalece o alinhamento entre pessoas, estratégia e resultados no longo prazo. 

Perguntas frequentes sobre cultura organizacional 

Como sei se a cultura da minha empresa está saudável? 

Uma cultura organizacional saudável pode ser percebida quando os valores da empresa se refletem nas decisões, nos comportamentos e na forma como as equipes trabalham no dia a dia. Indicadores como engajamento, turnover, absenteísmo, pesquisas de clima e a percepção dos colaboradores sobre a liderança ajudam a identificar se a cultura está fortalecendo ou dificultando a execução da estratégia. 

Qual é a diferença entre cultura organizacional e clima organizacional? 

A cultura organizacional representa os valores, crenças e comportamentos que orientam a forma como a empresa funciona. Já o clima organizacional corresponde à percepção dos colaboradores sobre o ambiente de trabalho em um determinado momento. Enquanto a cultura tende a ser mais estável e construída ao longo do tempo, o clima pode variar rapidamente em resposta a mudanças internas ou externas. 

Como a cultura organizacional influencia a retenção de talentos? 

Profissionais tendem a permanecer em empresas onde encontram um ambiente coerente com seus valores, oportunidades de desenvolvimento e lideranças alinhadas ao propósito da organização. Uma cultura fortalecida contribui para aumentar o engajamento, estimular o senso de pertencimento e reduzir a rotatividade de colaboradores. 

O que acontece quando a cultura organizacional não está alinhada à estratégia da empresa? 

Quando cultura e estratégia seguem caminhos diferentes, a empresa pode enfrentar dificuldades para executar projetos, adaptar-se às mudanças e manter o alinhamento entre áreas. Esse desalinhamento também afeta a tomada de decisão, enfraquece a atuação das lideranças e reduz a capacidade da organização de transformar objetivos estratégicos em resultados consistentes. 

Como transformar a cultura organizacional da minha empresa? 

Transformar a cultura organizacional exige alinhar liderança, pessoas e processos à estratégia do negócio. Para apoiar essa jornada, a Crescimentum oferece soluções personalizadas baseadas na metodologia MOVER e o curso Cultivando Cultura, que reúne ferramentas e práticas para desenvolver uma cultura organizacional mais consistente e alinhada aos objetivos da empresa.