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Cultura e liderança: o fim do líder herói e a coragem da coerência

02/27/2026
3 minutos de leitura

Por Lorena Zambrano

No dia a dia das organizações, é comum ouvirmos que a liderança deve ser o exemplo inabalável da cultura organizacional. No entanto, essa expectativa muitas vezes cria um peso invisível. Em minha pesquisa de pós-graduação em Sociopsicologia, estudei como as estruturas de alto desempenho moldam a identidade e os comportamentos dos indivíduos através de mecanismos de controle que muitas vezes nem percebemos. 

A moldura do sistema e o autocontrole

Para entender como as pessoas passam a agir “do jeito que a cultura espera”, podemos recorrer ao pensamento de Norbert Elias. Em minha tese, analiso como o processo civilizador e as estruturas sociais moldam o nosso comportamento. Como Elias aponta, as estruturas em que estamos inseridos exercem uma pressão que nos leva ao autopoliciamento. 

“A cultura de alto desempenho atua como um mecanismo de controle social que exige um ‘autopoliciamento’ constante do indivíduo, onde o comportamento é moldado pela estrutura do sistema até que se torne automático.” 

O risco aqui é quando esse sistema foca apenas em resultados frios, forçando o líder a usar uma “máscara de perfeição”. Esse esforço de sustentar um personagem que atenda às expectativas da estrutura, sem espaço para a vulnerabilidade, é o que gera o esgotamento que vemos hoje no mercado. 

O que é o “Gap” de Coerência? 

O gap de coerência é a distância entre a cultura aspiracional (o que a empresa diz ser) e a cultura real (como as pessoas agem no dia a dia). Os nossos dados de mercado de 2025 indicam que a maior dor das empresas não é a falta de estratégia, mas a diferença entre o discurso e a prática da liderança. 

A liderança como agente de mudança genuíno

Se a estrutura molda o comportamento, o papel da liderança é garantir que essa “moldura” seja saudável. Para mover uma cultura de forma real, o líder não precisa ser um herói infalível, mas sim um arquiteto do sistema. 

  • Vulnerabilidade como quebra de ciclo: Quando um líder admite uma dificuldade, ele “autoriza” o sistema a ser mais humano e menos punitivo. 
  • Da pressão para a segurança: Culturas saudáveis são aquelas onde o indivíduo não precisa anular sua essência (sua identidade) para pertencer e performar. 
  • Sustentabilidade mental: Menos tempo gasto sustentando máscaras significa mais energia para a inovação e para a execução estratégica. 

Do diagnóstico à jornada em movimento

A transformação cultural não acontece por decreto. Ela é uma jornada sistêmica que exige coragem para olhar para o sistema inteiro. Em minha experiência acompanhando projetos organizacionais, vi que os resultados mais perenes vieram de líderes que entenderam que a cultura é um organismo vivo. Ela se move através de iniciativas reais que permitem arriscar e aprender com o erro. É nesse espaço de experimentação que os rituais ganham sentido e a cultura deixa de ser um discurso para se tornar uma prática autêntica. 

Liderar é um ato de coragem humana

A verdadeira força da cultura e liderança reside na capacidade de integrar o negócio e as pessoas sem sacrificar a identidade de ninguém. Quando o líder retira a máscara e age com autenticidade, ele para de se esgotar e começa a inspirar o movimento que a empresa precisa. 

Como a liderança da sua empresa está lidando com o desafio da coerência cultural? Se você busca caminhos para transformar cultura em vantagem competitiva de forma humana e sistêmica, convido você a conhecer nossas abordagens na Crescimentum