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Espere sempre pelo Melhor!

Por Marco Fabossi, sócio-diretor da Crescimentum

 

Há poucos dias eu participava de uma reunião com um cliente, numa de suas concorridas salas e, como às vezes acontece, a reunião atrasou.

 

Pelo vidro, podíamos observar do lado de fora um certo movimento daqueles que esperavam pra ocupar a sala no horário que haviam reservado, e que havia sido “invadido” por nós.

 

Subitamente, alguém abre a porta, coloca a cabeça na fresta e, antes mesmo que ele dissesse qualquer palavra, todos os que estavam na reunião começaram a fechar os seus computadores e recolher as coisas pra deixar a sala, quando ele nos interrompeu e disse:

 

– Desculpem, mas é só pra avisar que vocês podem continuar com a reunião por mais alguns minutos porque a pessoa que estou esperando ainda não chegou.

 

Todos respiraram aliviados, abriram novamente seus computadores, e então seguimos com a reunião ainda um pouco preocupados com uma provável interrupção a qualquer momento, que foi exatamente o que aconteceu poucos minutos depois.

 

A mesma pessoa abre a porta e, antes de que dissesse uma única palavra, todos passaram a recolher as coisas, fechar seus computadores e preparar-se pra deixar a sala, quando ele sorriu e disse:

 

– A minha reunião foi cancelada. Vocês podem continuar utilizando a sala.

 

Todos se entreolharam, sorriram, e seguimos com a reunião.


Eu tenho estudado muito sobre Neurociência, como o cérebro funciona, seus impactos no comportamento humano e, principalmente, como esses comportamentos afetam o coaching e a liderança no dia a dia. E, nessa história, podemos observar uma característica interessante do cérebro humano: é natural que esperemos pelo “pior”.

 

A principal função do cérebro é manter-nos vivos, por isso, ao capturar com os sentidos aquilo que acontece à nossa volta, ele prioritariamente classifica essas situações em “ameaças” ou “recompensas”, e nos instrui sobre como agir.

 

É isso que nos leva a lutar, fugir ou “congelar” quando percebemos algum perigo ou “ameaça” no dia a dia. O simples ato de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua é um exemplo simples dessa característica do cérebro; ao olhar e perceber que um carro está se aproximando, você “congela”, espera o carro passar, e só então segue.

 

Neste contexto, um dos pontos mais importantes a considerar é que, como sua principal função é manter-nos vivos, o cérebro tem mecanismos muito mais “evoluídos” pra detectar “ameaças” do que para reconhecer “recompensas”, ou seja, o cérebro tende naturalmente a esperar mais pelo pior, do que pelo melhor.

 

Essa característica certamente nos protege, mas também tende a nos levar a níveis de preocupações que podem disparar comportamentos desproporcionais ao fato. Mas o que fazer então, se esta é uma característica nativa do cérebro? Existe esperança?

 

Sim! Outra importante descoberta da neurociência é que o cérebro é “plástico”, ou seja, é modificável, é treinável. Nosso cérebro tem uma capacidade quase que “infinita” de transformação e, portanto, pode ser “treinado” para reagir de maneira diferente.

 

O cérebro é muito rápido em “formar uma opinião” sobre qualquer coisa, situação ou pessoa; ele leva cerca de 1/20 de segundos para fazê-lo, ou seja, é praticamente impossível impedir que o cérebro forme uma opinião sobre algo ou alguém, porque isso é inconsciente, mas é plenamente possível treinar o cérebro sobre o que irá fazer com essa opinião, porque isso está sob nosso controle.

 

Como disse Martinho Lutero: “você não pode impedir que os pássaros voem por sobre a sua cabeça, mas pode evitar que eles façam ninhos”.

 

Então, que tal trocarmos o viés negativo pelo positivo? Começando por ocupar a mente com coisas positivas, com boas expectativas em vez de preocupações, ajudando seu cérebro a perceber que grande parte dessas preocupações que apenas ofuscam o seu foco, quase nunca se concretizam (já pensou nisso?).

 

Não é fácil, mas é necessário. No início pode ser complicado, mas com disciplina e persistência, sua neuroplasticidade o ajudará a desenvolver uma capacidade maior de esperar pelo melhor.

 

E quando você espera o melhor, seu ânimo, motivação, humor e entusiasmo mudam, passa a confiar mais e relacionar-se melhor com as pessoas, “baixa a sua guarda”, e faz com que sua postura e suas atitudes sejam muito mais positivas, aumentando assim sua capacidade de lidar com problemas reais (e não apenas imaginários), caso eles apareçam.

 

Agora, imagine como isso pode impactar a sua liderança e os resultados de sua equipe!

 

Então, não perca tempo. Comece a treinar o seu cérebro para esperar sempre pelo melhor!

Coaching: Perguntas Poderosas?

Por Marco Fabossi, sócio-diretor da Crescimentum

 

O poder de uma pergunta não está em sua complexidade, mas na profundidade da reflexão que ela causa e nos insights que produz, por isso, ainda que simples, as perguntas podem ser muito poderosas e nos conduzir à boas reflexões, descobertas, ideias, ações e conquistas.

 

Acredito que você tenha estabelecido objetivos importantes para sua vida neste ano, certo? Pois bem, escolha um deles e faça as quatro perguntas que sugiro a seguir. São perguntas simples, mas poderosas, que, respondidas com sinceridade e acompanhadas de ações concretas, certamente produzirão resultados extraordinários em sua vida!

 

Por quê? Procure encontrar o propósito mais profundo e verdadeiro que sustentará aquilo que você deseja, e este propósito o(a) manterá vivo(a) e entusiasmado(a). Entenda as razões e os motivos verdadeiros daquilo que busca.

 

Pergunte-se: Por que eu devo fazer isso? Por que isso é importante pra mim? Entenda os motivos mais profundos pelos quais isso deve ser feito. Enquanto não houver clareza de propósito, os “motivos para a ação” (motivação), serão frágeis e insuficientes para conduzi-lo(a) em direção àquilo que deseja.

 

Enfim, encontre o verdadeiro propósito de suas escolhas e, quando possíveis obstáculos surgirem, lembre-se dele. Isso lhe trará força, motivação e entusiasmo para manter o foco, disciplina e persistência necessários para conquistar aquilo que deseja.

 

Por que não? O que o(a) impede de fazer isso? Muitas vezes, seguimos demorando pra fazer alguma coisa, simplesmente porque achamos que deveríamos ter feito antes, e julgamos ser tarde pra fazê-la agora… mas, por que não?

 

Se responder sinceramente, descobrirá que não existem motivos reais para deixar de fazer o que tanto deseja. Então, por que não começar algo novo? Por que não criar novos hábitos?

 

Por que não começar a fazer atividade física? Por que não parar de fumar? Por que não escrever um livro? Por que não voltar a estudar? Por que não arriscar? Por que não?

 

Por que não eu? Se alguém tem que fazer algo por você, esse alguém é você! Quando encontramos o verdadeiro propósito para fazer algo, e descobrimos que nada nos impede de fazê-lo, a próxima pergunta é “por que não eu?”.

 

Alguém tem que começar a fazer esse “negócio”! Alguém precisa começar a falar mais “eu te amo” nesse relacionamento: por que não eu? Alguém tem que propor uma nova ideia: por que não eu?

 

Alguém tem que começar a reconstruir as relações de confiança na equipe: por que não eu? Alguém tem que perdoar: por que não eu? Alguém tem que dar o primeiro passo: por que não eu?

 

Por que não agora? Como disse Chico Xavier, “Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim”, e o melhor momento para começar a fazer esse “novo fim” é agora.

 

Se alguma coisa tem que ser feita, se não há razões concretas para que isso não seja feito e, se você mesmo pode fazer, então a última pergunta poderosa é: Por que não agora? Talvez esteja esperando pelo “momento perfeito”, mas o melhor momento é agora.

 

É por isso que o “agora” se chama “presente”: um presente de Deus para que você faça o que precisa ser feito. Então, por que não agora?

Viés Inconsciente

Por Marco Fabossi, sócio-diretor da Crescimentum

 

Uma menina segurava duas maçãs. Sua mãe então lhe pediu com voz doce e um belo sorriso:

 

– Querida, você poderia dar uma de suas maçãs pra mim?

 

A menina então olha por alguns segundos para sua mãe e, subitamente, morde uma das maçãs e logo em seguida a outra.

 

A mãe sente seu rosto esfriar e perder o sorriso, e tenta não mostrar sua decepção, quando sua filha lhe oferece uma de suas maçãs mordidas, e diz:

 

– Essa é a mais doce!


Sinto dizer, mas você e eu somos preconceituosos e temos vários vieses inconscientes, a favor ou contra algo, alguém ou algum grupo, e que geram resultados negativos ou positivos.

 

Vieses que impactam diretamente o nosso cotidiano pessoal e profissional. E a neurociência nos ajuda a compreender porque isso acontece.

 

Nosso cérebro precisa lidar com muitas coisas ao mesmo tempo, são milhares de informações por segundo e, para dar conta de tudo, ele cria padrões que considera mais importantes em forma de “atalhos”, para que então possa reconhecê-los rápida e automaticamente; é o que chamamos de piloto automático.

 

O problema é que esses atalhos são naturalmente tendenciosos, já que são adquiridos com base em experiências, cultura, educação, ambiente e aprendizados, formando o sistema de crenças que define nossos comportamentos: são os nossos vieses inconscientes.

 

É por isso que temos a tendência e a preferência de nos aproximarmos de pessoas que sejam mais parecidas conosco, e com elas criarmos uma conexão mais rápida.

 

O problema é que a recíproca é também verdadeira; temos uma forte tendência a nos afastar de pessoas que são diferentes ou com as quais criamos um “preconceito automático” e inconsciente.

 

De acordo com estudo realizado na Universidade Carleton, em Ottawa, Canadá, esses gostos e aversões inconscientes levam menos de 1/20 de segundo para serem estabelecidos pelo cérebro, ou seja, é praticamente impossível evitar o viés inconsciente ou preconceito automático.

 

Mas como dizia o sábio Geraldo Fabossi, meu pai, “você não pode impedir que um pássaro pouse na sua cabeça, mas pode evitar que ele faça ninho”. Em outras palavras, é praticamente impossível evitar o viés inconsciente, mas é plenamente possível pensar sobre ele, e decidir que fim daremos a este pensamento.

 

E quando falamos em liderança, torna-se imprescindível buscar maior consciência e aprender a lidar com nossos vieses inconscientes, porque se deixarmos que o “preconceito automático” naturalmente influencie e defina nossos pensamentos e comportamentos, existe uma grande probabilidade de sermos injustos e tendenciosos, principalmente em relação às pessoas.

 

O segredo então é começar a separar algum tempo pra analisar nossos pensamentos, algo que normalmente não fazemos no dia a dia. Começar a perguntar-se e responder sinceramente:

 

“Por que eu tenho pouca paciência com essa pessoa? Por que eu não gosto de ficar perto dela? Por que eu dedico mais tempo e energia a esta pessoa e não àquela? Por que eu me sinto inseguro quando estou perto dessa pessoa? Por que eu consigo me controlar com meu chefe, mas perco a compostura com minha equipe? Por que eu resisto tanto às opiniões dessa pessoa? Por que eu geralmente resisto à novas ideias e mudanças? Por que eu não gosto de ser contrariado em minhas opiniões?”.

 

Enfim, pensar sobre os vieses inconscientes, e questioná-los, porque nenhum deles é uma verdade absoluta, apesar do seu cérebro achar que sim. E, ao tornarem-se conscientes e questionados, com o tempo, novos “atalhos”, agora menos tendenciosos e preconceituosos, tendem a se formar.

 

E, à medida que esses novos atalhos menos tendenciosos e negativos são utilizados, eles começam a se tornar o comportamento de menor esforço, o novo padrão do cérebro. Mas para isso é necessário o esforço consciente de exercitar este novo hábito. Essa é a chamada Neuroplasticidade e recentemente publicamos um artigo sobre esse assunto, chamado de O Cérebro não tem Calendário.

 

Reflita sobre isso. Bons pensamentos!

O Cérebro não tem Calendário

Por Marco Fabossi, sócio-diretor da Crescimentum

 

Uma repórter perguntou à uma jovem e talentosa violinista sobre o segredo de seu sucesso, e ela respondeu:

 

– O segredo do meu sucesso é a negligência planejada.

 

Ao perceber que a repórter queria saber mais sobre o assunto, ela então explicou:

 

– Durante a minha infância e adolescência havia muitas coisas que exigiam o meu tempo. Depois do café da manhã, eu arrumava a cama, colocava meu quarto em ordem, varria o chão e fazia tudo aquilo que era supostamente importante. Só depois de tudo isso é que eu corria para estudar violino. Com o tempo descobri que estava progredindo menos do que gostaria, e decidi inverter as coisas. Enquanto o tempo de estudar violino não acabava, eu deliberadamente negligenciava todas as outras coisas. Esse programa de negligência planejada, a meu ver, é o grande responsável pelo meu sucesso como violinista.


As recentes descobertas da neurociência têm trazido muitos ensinamentos sobre o funcionamento do cérebro e o seu impacto no comportamento humano. Dois deles são que o cérebro humano tem uma capacidade de transformação e aprendizagem praticamente infinita, ao que os neurocientistas chamam de Neuroplasticidade. E o outro é que o cérebro aprende de duas maneiras: repetição e emoção.

 

Traduzindo essas constatações da neurociência, podemos chegar à duas importantes conclusões:

  • Qualquer novo conhecimento, comportamento ou habilidade podem ser aprendidos;
  • Mas para que esse novo conhecimento, comportamento ou habilidade se estabeleça, é preciso que haja repetição e uma boa dose de emotividade ou significado naquilo que está sendo aprendido.

 

É importante, portanto, conscientizar-se de que o cérebro não tem calendário, ou seja, pra ele não importa se é segunda-feira ou sábado; ele continua aguardando mais uma repetição daquele conhecimento, comportamento ou habilidade que você está tentando desenvolver, para que possa reforçar cada vez mais as conexões neurais, até que isso se torne um hábito. Por isso, para o cérebro é muito mais produtivo que você faça algo durante dez minutos todos os dias, do que deixar pra praticar uma hora no final de semana, por exemplo.

 

Portanto, se você quer meditar, fazer atividade física, dizer mais “eu te amo” para as pessoas do seu convívio, melhorar sua capacidade de relacionamento e liderança, aproximar-se mais de alguém que ama, falar fluentemente outro idioma, aprender algo novo, enfim, adquirir ou reforçar um conhecimento, comportamento ou habilidade, será preciso fazê-lo todos os dias. Lembre-se, o cérebro precisa de repetição pra aprender. E, pra tornar essa repetição mais prazerosa e motivadora, torne-a importante pra você; conecte-a com um objetivo e um propósito.

 

No início pode até ser chato meditar, e isso pode desmotivá-lo, mas se você conectar esses momentos com algo que lhe ajude a ser menos ansioso, que traga maior presença, equilíbrio, serenidade, e que consequentemente melhorará sua qualidade de vida, seu humor e os resultados no dia a dia, haverá mais motivação e significado para que você persista. E isso se aplica a tudo o que quiser desenvolver.

 

Ajude seu cérebro a ajudar você!